Utilizar a rádio para comunicar com mulheres rurais e trabalhadores da saúde

A nossa equipa em Moçambique está a usar a rádio local para informar os ouvintes sobre boas práticas de saúde materna. O seguinte é baseado numa entrevista com Argentina Munguambe, Coordenadora de Formação do Projecto, por Jessie Forsyth, Directora do Projecto. A entrevista de meia hora foi transmitida na rádio comunitária na província de Inhambane, Moçambique. Produzido por Don Kossick, o programa de rádio foi acompanhado por música da cantora local ZZ Mama, sobre o empoderamento das mulheres Moçambicanas. Agradecimentos também a Tanya Dunn-Pierce e Kyla Avis pela sua contribuição para o trabalho do projecto nas vias de cuidados.

Jessie: Você pode nos falar sobre o trabalho que o projecto está a fazer no desenvolvimento de vias de cuidados para melhorar os partos maternos? O que tem a dizer sobre isso?

Argentina: Ao desenvolver uma via de cuidados, visualizamos a viagem que uma mulher grávida faria, desde sua casa até o local onde vai dar à luz. Membros da comunidade e agentes de saúde se reúnem para pensar, por cada mulher, que obstáculos ela encontrará, o que criará problemas ou atrasos, e como podemos melhor apoiá-la para ter uma viagem tranquila e saudável.

Jessie: Vamos começar com a própria mulher. O que é que ela pode fazer?

Argentina: A mulher deve estar preparada o máximo possível para o parto. Ela deve certificar-se de ter um plano de parto recebido na sua consulta pré-natal. Nas suas consultas pré-natais, ela também vai descobrir o seu nível de risco e isso vai dizer-lhe se há medidas especiais que ela deve tomar – medicamentos, que hospital, quanto tempo antes ela precisa para se apresentar, e assim por diante. Se ela tiver outros filhos, ela deve pensar em quem cuidará deles enquanto estiver fora. Ela também deve pensar em como chegará ao centro de saúde para o parto, quem a acompanhará para apoiá-la, e que terá o apoio familiar que precisa quando chegar a hora, incluindo a capacidade de decidir sobre sua viagem. 

Jessie: O que devem fazer os profissionais de saúde?

Argentina: Primeiro, eles devem pensar em como garantir que a mulher receba boas informações sobre sua gravidez, incluindo seu plano de parto, e o que ela vai precisar fazer. Eles precisam se comunicar bem, com paciência e respeito. E quando ela chega a uma unidade sanitária para o parto, ela precisa ser guiada até o local apropriado e bem tratada. Os profissionais de saúde precisam trabalhar com habilidade e atenção, trabalhar bem uns com os outros, seguir protocolos e se comunicar bem.

Jessie: Em que devem pensar os membros da comunidade?

Argentina: A comunidade deve pensar em si como uma rede de apoio para a mulher grávida. Sua família deve saber sobre o seu plano de parto e ajudá-la com isso. Os trabalhadores de apoio à saúde (APES), as parteiras tradicionais e os curandeiros podem visitá-la para ter certeza de que tudo está bem, especialmente à medida que o tempo de parto se aproxima. Os líderes comunitários podem organizar maneiras dela chegar a uma unidade sanitária, quando chegar a hora. Todos devem estar preparados para desempenhar um papel útil para que a viagem da mulher seja facilitada.